ARTISTAS BRASILEIROS

Artistas brasileiros no cenário canadense

Eduardo Arraes

Sou carioca, passei boa parte da minha vida nos bairros da Tijuca e Vila-Isabel. Estudei Relações Internacionais na faculdade e foi aí que a vontade de morar fora virou objetivo. Antes de vir eu trabalhei na Fiocruz com projetos de cooperação internacional no Haiti e também de meio ambiente pelo Brasil. Finalmente decidi vir para o Canadá, e mais especificamente Montréal, por diversas razões: uma afinidade com o modelo político do país (mais justo e solidário que o do Brasil), pelas boas oportunidades de carreira, pela qualidade de vida de um país social-democrata, pelo clima, geografia e meio ambiente, e uma afinidade cultural. Cheguei aqui em 2014.

Montréal é uma grande pequena cidade. Pra quem vem do Rio, Montréal é uma tranquilidade, com uma vida de bairros onde pode-se fazer de tudo a pé ou de bicicleta, sem o stress do trânsito e da poluição. Além disso é uma cidade com uma imensa diversidade e apesar da tranquilidade, possui uma vida cultural única. E foi aí que meu interesse por fazer música ressurgiu.

A música

Eu tive banda no Brasil faz muito tempo, mas a falta de tempo, o stress e a correria da vida no Rio me fizeram perder esse meu lado. Aqui em Montréal eu redescobri a música. Comecei a tocar de bobeira com uns amigos brasileiros (Will, Danilo e Alexandre), tocando velhas músicas de punk-rock. Mas o baterista teve que voltar pro Brasil e a brincadeira meio que morreu. Só que minha vontade de tocar só aumentou. Eu não conhecia mais ninguém que tocava. Minha rede social aqui ainda era bem limitada. Então fui procurar no Kijiji ahhaha. Lá achei uma banda procurando baixista, entrei em contato e agora já estamos tocando juntos a um ano e meio. Lançamos um primeiro EP e um vídeo clipe. Tocamos em diversos shows (QC e ON). No final de maio a gente vai gravar nosso segundo EP em Toronto, com o mesmo cara que gravou e produziu Like Pacific, que é uma das principais bandas da nova cena Pop/Punk/Alternative.

A gente tem como influência pro nosso som bandas de pop/punk da segunda metade dos anos 00′ como Story so Far e Knuckle Puck que fazem um pop/punk mais sério, mais pesado, bem diferente de bandas mais antigas como Green Day ou Blink-182, (mas que claro são influência também).

O dia-a-dia

A banda é um projeto paralelo, eu não vivo da música. Eu tenho meu emprego, trabalho em uma empresa de consultoria em alimentos e bebidas fermentadas e temos também nossa própria produção de kombucha. A música é uma paixão, e tocar nessa banda foi/é muito importante pra minha integração aqui. Conheci pessoas e lugares. Você começa a sair daquele ritmo do recém-chegado, com as preocupações e objetivos do recém-chegado (a correria pra buscar emprego, as preocupações se vai dar certo, a saudade, as ansiedades, etc). Ter uma banda me deu a sensação de ser um montréalais, como não tinha sentido antes. Você passa a ter um relacionamento com os locais, a frequentar outros lugares, etc. Comecei a ver a cidade de outra maneira. A rotina de ir ensaiar, quebrou com a rotina do imigrante, sabe? Você passa a ter um projeto que é seu, que é fundado aqui, que não tem nada a ver com seu projeto de imigração. É algo que sai daquele caminho tradicional que todo recém-chegado busca percorrer.

Vir para o Canadá

Eu acho que muita gente que imigra acaba se tornando infeliz pois não consegue sair desse caminho pré-moldado, que fica se comparando com outros imigrantes que tiveram “sucesso” e querem fazer igual. Se eu tenho um conselho pra dar pra quem tá chegando é: trilhe teu próprio caminho. Pode parecer clichê mas é verdade. Além das obrigações, busque as suas paixões. Não é só pq você imigrou que você deve deixar de ter seus projetos. Invista seu tempo neles, saia da zona de conforto, entre em contato com os “locais”, evite só falar com conterrâneo-a-s, não tenha medo de não fazer igual ao que outros imigrantes fizeram. Não meça o seu “sucesso” com o de outro imigrante, cada caminho é único.

>> Visite o site do Dear Youth <<