5 verdades sobre viver em outro idioma

Olá, seja muito bem-vindo a mais um Momento Lindo.

Muitas pessoas recém chegadas com quem converso pedem opinião ou querem discutir sobre as dificuldades de se adaptar a um outro idioma e questionam sobre como isso é no futuro.

Passados alguns anos eu posso dizer, tem muita coisa que não é como você pensa. Tem muita coisa engraçada, muita coisa meio embaraçosa e muita coisa que você vai simplesmente acabar aceitando.

Vamos nessa, aqui as minhas 5 verdades:

Todo mundo começa traduzindo

Não se assuste, não se veja como incompetente ou como alguém que não é capaz de aprender. A gente sempre começa tentando traduzir.

É muito simples. No começo falta vocabulário. No começo você tem aquela vontade de se tornar fluente e de tentar.

DICA: Tente. Se você não tenta, tente!

Muitas pessoas ficam tímidas, por não saber. Outras querem logo passar para o inglês (no caso do francês aqui em Quebec). Pegar o caminho mais fácil joga você um pouco para trás.

Acontecem micos, isso também é normal. Eu mesmo tive vários. Palavras que a gente inventa pois em português é tão natural que em francês deve ser a mesma coisa.

Masculino, feminino, singular e plural. Muda tudo. Fica meio torno e temos de decorar.

É assim mesmo. Mas saiba que todos aprendem e acabam mais cedo ou mais tarde conseguindo.

E a tradução diminui até quase desaparecer. Quase, porque sempre volta aqui e acolá uma coisinha ou outra que tentamos quando o vocabulário falta.

O segredo é não estressar.

Uma vez imigrante sempre imigrante

A grande maioria de nós não tem sangue nórdico, nem cara de francês. Então tá meio que na cara que somos imigrantes. Não nativos. Aqueles que não falam a língua pátria da forma correta.

Por melhor que seja o seu inglês ou francês, sempre, eu disse sempre vão existir situações ou pessoas para os quais você usou aquela expressão ou aquele jeito pelo fato de ser um estrangeiro.

Quando você dominar o idioma no nível básico, isso vai desaparecer. Quando você for fluente isso vai desaparecer. Até você precisar de mais vocabulário. Daí começa tudo de novo. É um aprendizado constante.

DICA: nunca pare de aprender o outro idioma.

Seja porque você vai falar de algo que nunca falou, ou porque você esqueceu, pouco importa. Sempre vai ter algo que você não sabe.

A qualidade do seu segundo idioma depende da sua vontade de aprender, de se aproximar daquilo que é falado. E as pessoas vão perceber. Algumas vão julgar.

No trabalho tem aqueles que querem subir de carreira. Mas subir de carreira implica entre outras coisas melhorar o idioma. Dai você deixar de ser aquele cara que fala super bem e volta a ser imigrante.

Nosso cérebro sempre usa o mais fácil

Ahhh, essa parte é engraçada. As vezes “trágica”.

Algumas palavras são usadas tanto, mas tanto que pouco importa em que língua esteja, ela será sua nova referência. É essa que você vai usar, mesmo que não faça sentido.

No meu caso existem algumas. A mais comum é “rendez-vous“.

Rendez-vous é aquele tipo de encontro que você tem com alguém para alguma coisa. Eu tenho rendez-vous com o cara da oficina, com a médica da clínica, com a professora do meu filho, no hospital pra tomar a vacina.

Veja bem, é muito mais fácil ter um rendez-vous do que ter uma reunião, uma consulta, uma análise, um horário, um apontamento.

Rendez-vous é uma palavra mágica. Tão mágica que mesmo estando no Brasil eu continuo usando.

As vezes temos de explicar. Chega a ser engraçado quando seu interlocutor não diz nada ou porque não entendeu ou porque não quer parar e perguntar. Nos dois casos a palavra passa batida. Em outros gera outros assuntos.

E quando conjugamos verbos franceses em português? Ahhh, isso aí me dérangeu.

Hein!?

É um absurdo mas as vezes eu vou ir! E se torna pior quando temos a impressão que estamos esquecendo o nosso próprio idioma.

Mas acontece. Uma DICA: bem, relaxa!

Escrever é difícil

É difícil sim. Não coisas pequenas como emails, confirmações ou pequenos recados.

No trabalho são relatórios, são documentos, notas, explicações mais complexas. Por mais que o vocabulário esteja ali, o jeitão de escrever de forma mais “formal” leva tempo.

DICA: copie os nativos.

Sempre que eu vejo algo que é dito de um jeito que eu sei que não era assim que eu iria dizer, eu tento aprender aquilo e copiá-lo.

É um exercício difícil de fazer. Mas se você começar desde o início do seu aprendizado, vai acabar fazendo de forma meio que automática.

Eu nunca parei. Sempre analiso, sempre estou atento. Ah, meu chefe falou isso, a secretária usou aquela expressão. Meu texto foi revisado e ela mudou isso ou aquilo.

Todas são experiências válidas para o seu futuro.

Não sei se são todos que o querem de verdade, mas muitos dizem que querem progredir de vida. Pois bem, saiba que isso passa também pelo idioma.

Todo mundo tem sotaque

Qual o problema do seu?

Talvez você nem ligue, mas todo sotaque é percebido. As vezes criticado.

Os nativos também tem sotaque. As vezes carregado. Mas sabe de uma boa? O deles é que é o certo.

Qual o problema do seu? Já parou para pensar? Já pediu para algum nativo ser sincero e indicar qual ou quais os seus defeitos em termos de idioma.

Sempre pedi para me corrigirem, para me darem dicas. Mesmo que alguns fiquem sem jeito de fazer.

As vezes eu faço piada. Eu brinco quando vejo que os nativos não se entendem nem entre eles mesmos.

Eu digo :  “se vocês não se entendem entre si, como esperam que eu entenda vocês?”

E todos riem. E fazem piada também.

Mas tem algo muito sério nisso. Em alguns lugares, talvez os sotaques nem sejam mais um problema. Mas talvez em alguns outros, para algumas pessoas, se o seu for muito carregado isso seja.

DICA: imite o mais possível

Ah Berg, se eu falar igual aos outros eu deixo de ser eu. Eu ficarei artificial.

Talvez. No meu caso funciona.

Muitos tem certeza que eu aprendi meu francês aqui em Quebec, de tão próximo que ele é dos nativos.

Daí eu não tenho medo de falar com o servente nem com o presidente da empresa. Daí eu não tenho medo de dizer a pessoa que o problema talvez seja dela, pois sei que meu francês é muito bom.

Sucesso!

Veja também:

Que tal rir um pouco com este PODCAST  (PoDeixar #4): Falando do francês

Ou com este PODCAST (PoDeixar #29): Falando mal do francês (de novo)

Written by Berg Lindo

Berg Lindo

Gerente de projetos de informática, co-fundador do PoDeixar e do Canadá Agora, adora cinema, formula 1 e principalmente ajudar as pessoas com suas experiências. Apesar dos olhinhos meio puxados nada tem de oriental. Dizem que é descendente de índio.