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Choque cultural – Nossos valores são os mesmos ?

Choque cultural – Nossos valores são os mesmos ?

Valores. Continuando nosso papo iniciado no post anterior, vamos falar de valores. Vamos falar de comportamento e é claro, mais uma vez, de diferenças !

Direto ao ponto, de quais valores eu quero abordar neste post :

1. Família

Família e valores. Falar de família daria talvez um post só dele. Mas vamos ao mais importante na minha percepção.
Me parece ter uma diferença de base entre famílias formadas de pessoas do interior (de Quebec por exemplo) e das famílias da capital e das maiores cidades. Regra geral, as famílias do interior tendem a ser mais próximas, a ter mais preocupação com o conceito de família, mesmo a religião e coisas assim.

As famílias de cidades grandes são mais “modernas, mais século 21 (olhando pra 22 hehehe). Primeiro eu, depois os outros e a família incluída.

É uma das facetas do individualismo “norte americano”. Se está bom pra mim, está bom pra família; se não está bom pra mim, troco de família em busca de uma melhor.

Famílias monoparentais, separações, guarda dos filhos dividida entre os pais, participação mais evidente de avôs e avós. Mães carregando filhos para cima e para baixo (afinal, estão “sozinhas”).

Acontece inclusive aos brasileiros.

E aqui eu queria chamar a sua atenção. Longe de eu ser conselheiro matrimonial, todo post tem de ter ao menos uma dica.

DICA : analise o seu relacionamento friamente. Não espere resolver aqui problemas atuais. Converse bastante com o seu parceiro ou parceira.

Aqui as coisas pioram. A rotina é maior, as diferenças, machismos, preguiças, problemas financeiros, tudo fica mais evidente num contexto de mudança de vida tão grande. Literalmente, os defeitos aparecem.

Se seguirmos a ideia do povo daqui (e alguns acabam seguindo): se não ta bom, muda.

Mudando de assunto mas ainda falando de família. Como eu disse no inicio, há uma certa distancia das famílias pelo corre-corre do dia-a-dia.

Para nós, se junta o fato de não estarmos juntos da nossa. Mas para eles, culturalmente, digamos que é normal ter contato com pais, mães, irmãos umas 3 vezes por ano. Tudo bem !

Se com a família é assim, com os amigos então, nem se fala. Eu tenho ótimos amigos nativos que vemos 2 vezes por ano e que se sentem felizes por poder dedicar aquelas poucas horas à nossa amizade.

Adaptação !

E para terminar o tema, falando em viver longe da família, eu recomendo esse programa que nos fizemos no PoDeixar : Vivendo longe da família

2. Religião

Religião e valores. Aqui eu deveria falar de religiões. Muitas. Ou talvez a ausência delas.

No Quebec especificamente, a história conta que a igreja católica foi muito opressora e que talvez por questões de aumento da população, ela interferia diretamente na vida das pessoas exigindo que as famílias tivessem muitos filhos e controlando suas vidas.

Isso causou uma espécie de repulsa de algumas gerações contra a igreja, de tal forma que, por exemplo, os palavrões no francês quebequense são ligados a termos católicos.

“Meu Deus que horror!!!!” É, é assim que é por aqui.

Mas falar de uma só religião não faz tanto sentido se você considera que existem muitos povos diferentes no Canadá. Existem muitas religiões e muitas formas de religião.

Aqui surge por si só um debate e também uma outra dica.

DICA: Respeite a opinião e o direito das pessoas de ter, não ter, seguir ou não algum tipo de religião.

Diferente do Brasil onde o catolicismo e o protestantismo tem a mesma base, escolas, locais públicos e órgãos do governo não fazem menção a nenhum tipo de símbolo religioso de nenhuma origem.

Além disso existem muitos debates sobre os símbolos religiosos e os costumes de outros povos imigrantes, diferentes do catolicismo.

Igrejas são as vezes usadas como bibliotecas, salões de festas entre outras coisas. Apesar disso, o catolicismo parece estar voltando, se renovando em meio a uma geração quase que completamente atéia.

3. Respeito ao outro e a bolha

A bolha é uma questão, eu diria, no mínimo engraçada. É o espaço privado, individual, aquele que ao ser invadido incomoda o seu detentor.

Tocar nas pessoas, na verdade falar tocando como nós brasileiros somos acostumados, causa estranheza. Seguir as pessoas num corredor, chegar muito perto, colar num ônibus, fazer qualquer gesto que implique em algum tipo de interpretação de invasão de privacidade é mal visto.

O feminismo faz com que certos comportamentos diferentes considerados normais aqui, choquem aqueles menos avisados. Mulheres tem menos vergonha, tem seu espaço e exigem respeito. Da mesma forma, não aceitam a vulgaridade nem a sexualização desnecessária, imprópria. Por outro lado, não tem qualquer performa em tomar a iniciativa, de dizer o que pensam, etc, como deveria ser em todo o mundo.

Respeito ao próximo tem muitas facetas. É na fila, é no momento em que mantém o silêncio enquanto espera a sua vez, é na hora em que evitamos de falar português para não dar a impressão de estar falando de outras pessoas de outros idiomas, é na troca para a outra língua na presença de um estrangeiro.

Respeito tem a ver com a calma no trânsito, com a não necessidade de ficar buzinando, de dar a vez ao próximo veiculo e por ai vai.

São muitos pequenos costumes, bons costumes, costumes as vezes diferentes dos nossos.

DICA: Não traga para cá as coisas ruins de seu lugar de origem, familiares ou pessoais.

4. Preconceito

Esse aqui é complexo. O multiculturalismo trás muitos mundos ao seu mundo. Eu, por exemplo, nunca tinha tido uma experiência de conviver com pessoas diferentes em tudo, do modo de vestir ao de pensar, ao de tratar o próximo.

Pessoas se acariciam no meio da rua, homossexuais se sentem confortáveis para viver sua própria vida sem o julgamento alheio, homens e mulheres dividem tintura de cabelo, cores malucas, unhas, piercings, colares e brincos.

As vezes ouvimos casos de pessoas que saem do Brasil para viver uma vida sem o olhar crítico das outras pessoas, daquelas que não interessam. Alguns deles vem morar por aqui.

Mas apesar da defesa ferrenha dos direitos de cada um, não estamos a salvo do preconceito. Alguns nativos não aceitam a imigração, te olham torto, dizem que não entendem o que você fala e cada um tenta reagir a isso da maneira que melhor lhe convém.

Já ouvi vários relatos de “preconceito” de brasileiros que moram por aqui. Eu mesmo tive um só caso, que eu percebi, mas o contexto poderia perdoar.

Dizem por aqui que negros sofrem discriminação, não explícita. Nem tudo é perfeito. Longe disso.

Algum preconceito também com relacionamentos de idades muito diferentes. Casais tendem a ter mais ou menos a mesma idade. Relacionamentos se constroem via de regra na mesma faixa etária.

DICA: abra sua mente, aceite o diferente, entenda que seu limite realmente termina onde começa o do outro.

5. Corpo

Nosso corpo e valores. De forma simples e direta: tatuagens são comuns, brincos largos na orelha são comuns, cabelos longos, barbas longas são comuns e por ai vai. Isso não determina que a pessoa é, como ela age. Cada um é dono do seu.

Mulheres sentam as vezes de pernas abertas, usam calcinha fio dental no dia a dia e biquínis escondendo bem mais do que muitos brasileiros estão acostumados. Elas também usam bastante maquiagem, escondem o corpo nos casacos e não usam batom.

O fato é que cada um é bem dono do seu corpo e mais uma vez, não se importam com o que pensam os outros.

A liberdade sexual começa cedo, é explícita. Ninguém fica preocupado se alguém já “comeu” ou se outro “já deu”. Afinal ,até esses conceitos são diferentes e cada um faz com o seu corpo o que bem entende.

A própria língua ajuda, ou atrapalha. Palavras como “cu” são usadas para classificar filmes pornô (filmes de cul) ou um beco sem saída (cul de sac).

Não existe a cultura ao corpo perfeito. Baixinhos, gordinhos ou qualquer outro estereótipo tem menos interferência na vida das pessoas. Todos são respeitados como são.

DICA: respeite a todos como eles são. Não exija que sejam como você pensa ou gostaria.

Eu acho que é isso, está bom para o tema.

Ahhh, antes que eu esqueça, tudo isso que foi dito acima é como EU vejo o comportamento do povo por aqui, ou seja, é a MINHA opinião. Então tudo bem se você discorda ou vê as coisas de uma outra maneira. Nos perdoamos bem !!

Vale ressaltar também que viver num mundo multicultural tem lá suas diferenças do mundo “brasileiro”, assim como o “nordeste brasileiro” é diferente do resto do Brasil.

O que pensamos e sentimos as vezes não é refletido em outras culturas presentes aqui. Isso para mim é uma batalha pessoal, para que as coisas continuem funcionando e para que aqui continue sendo o país que me acolheu.

Grande abraço e sucesso !

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Written by Berg Lindo

Berg Lindo

Gerente de projetos de informática, co-fundador do PoDeixar e do Canadá Agora, adora cinema, formula 1 e principalmente ajudar as pessoas com suas experiências. Apesar dos olhinhos meio puxados nada tem de oriental. Dizem que é descendente de índio.