Choque cultural … No Canada é igual ou diferente ?

Olá, sejam muito bem vindos a mais um Momento Lindo. Neste e nos próximos posts vamos falar de choque cultural.

Deixa eu te explicar então como isso vai funcionar. Eu vou trazer uma série de posts onde eu falo de diferenças, algumas de cultura e outras ligadas a cultura.

Eu comecei com a ideia de escrever um grande artigo sobre choque cultural.  Ao fazer isso, iria talvez tomar um tempo enorme tanto para escrever quanto para sua leitura. Além disso eu me limitaria bastante no assunto pois não faz sentido ter um mega ultra arquivo gigante.

Então eu quero trazer algumas vertentes, algumas balizas para que você se libere de alguns conceitos pré-enraizados e que comece a trabalhar a sua “nova” mentalidade.

Talvez eles tragam um pouco de polêmica, afinal estamos falando de choque cultural, mas este não é meu objetivo. Se você não concordar comigo em algum tema ou ponto específico, tudo bem, é um direito seu.

Meu desejo aqui é que você se imagine no contexto e possa avaliar os impactos que uma mudança de cultura possa ter na sua vida. Isso talvez te clique sobre se a vida longe do Brasil é realmente para você ou ainda sobre em quais áreas você deve se preparar ou até mesmo melhorar.

E é claro, tudo isso com a ideia de que este post seja realmente útil pra você :

Baliza 1: Cuidado com a palavra “Canadá”.

A gente sempre fala do Canadá quando nos referimos a qualquer assunto. Mas entenda que apesar de ser o pais destino, um contexto maior faz com que muitas coisas mudem. Essa mudança vai mesmo as vezes mesmo de província para província.

Muitos fatores são diferentes em cada uma e ajudam a explicar essa “adaptação na adaptação”. O idioma, o clima, o histórico de imigração, a localização geográfica dentro do pais, a proposta de imigração, a quantidade de imigrantes, para citar apenas alguns deles.

Alguns dos pontos podem já ser iguais onde você mora atualmente ou iguais a alguma coisa da sua vida pessoal. Se este for o caso, ótimo ! Uma coisa a menos a considerar.

Como eu disse antes, se for diferente, você não é obrigado a aceitar, gostar ou concordar com o que eu estou dizendo. Mas saiba que talvez você encontre aqui elementos bem diferentes do seu costume.

DICA: Procure associar os conceitos e entender o porque. Não critique, adapte-se.

Baliza 2: Brasileiro não é  tudo igual.

Isso foi uma das coisas que eu levei um certo tempo para aceitar, mas que tenho clareza para entender que as pessoas não são e nem serão aquilo que pensamos delas.

Algumas coisas que valem para os nordestinos não são as mesmas dos sulistas ou dos nortistas ou dos centristas ou dos … ahhh sei la… todo mundo !!!
Se não nos entendemos nem entre a gente, imagina com os canadenses e todas as outras comunidades imigrantes que circulam lado a lado conosco.

As perspectivas, o jeito de fazer as coisas, de enxergar as coisas e até a condição de imigração (vem para estudar, a imigração com ou sem família, com ou sem filhos e por ai vai) influenciam a sua forma e facilitarão ou dificultarão a sua adaptação.

DICA 1: Fique ligado … seja flexível e pense antes de agir.
DICA 2: Guarde bem as palavras da dica 1 !!!

Uma das perguntas que mais me faço hoje em termos de diferenças é se estou exigindo demais daquela pessoa ao ponto de me influenciar ou não com a “não correspondência”.

É comum ao chegarmos aqui, procurarmos os nossos semelhantes por achar que eles tem a mesma visão, a mesma cultura que a nossa !

BINGO !!! É ai que a coisa pega meu amigo, minha amiga.

Baliza 3: Não, … o Brasil não é melhor do que o Canadá.

Bem simples. Não é mesmo e ponto. Polêmica ?
Se fosse, você estaria la e não aqui ou não teria a intenção de vir. A ideia aqui é compromisso. Você tem de ter compromisso com a sua nova realidade, abraça-la e tentar tirar dela o melhor que você pode.

Eu fiz um vídeo interessante da série qualidade de vida do momento lindo falando sobre os ciclos de auto-questionamentos. Tudo a ver com isso aqui.

Então ta! Aqui é melhor ! Mas não em tudo ! Depende !

DICA: Não reclame … ache soluções !

Em muitas situações você vai se deparar com modelos que não são talvez os mais perfeitos, as melhores formas de fazer. Então pense…. sua nova casa é assim.

De novo, adapte-se. Mesmo com todos esses “defeitos” o Canadá figura entre os países top pra se viver. Então deve ser verdade e não tao ruim assim como você esta pensando.

Ahhh… essa forma de pensar ou de agir é um absurdo ! Será mesmo ? Talvez algum tipo de pre-conceito, de bloqueio, de forma de criação.

Sabe aquela coisa, dentro do hospital, seu bebezinho de 12 horas de vida vai tomar seu primeiro banho na vida, na pia do quarto, com uma enfermeira ensinando.
E a higiene, e a banheira ?

A ciência explica ! O povo canadense precisa de imigrantes já que mais de 80% dos bebês morrem nos primeiros dias por causa do danado do banho na pia não é mesmo ?

NNNNNÃÃÃÃOOOOOO !
Se morressem todos tinha uma banheira a cada 5 metros pois um pais de primeiro mundo, na lista dos melhores pra se viver não pode dar banho na pia !!

A verdade é que de um jeito ou de outro as coisas aqui funcionam e é por isso que o pais esta bem no hanking e que você quer vir pra cá !.

Mas além de concordar (ou não), seu compromisso pede para assumir essa verdade e você tem também sua parcela de contribuição. Uma grande parcela !

DICA: Mantenha as coisas como são !

Tudo bem, eu to contradizendo (ou não) o que acabei de dizer. Existem inúmeros fatores que fazem com que o pais funcione. Não tente muda-los, não tente traze-los para a sua cultura e realidade. De novo, se ela fosse realmente melhor ao ponto de você trazê-la, você não estaria aqui ou tentando vir pra cá.
Não estou falando aqui de música, de comida, de preferências por canais de TV, dessas coisas básicas, normais que misturam a saudade com aqueles elementos que estão incrustados em nossa mente.

Mas nesses elementos incrustados, existem alguns que vão necessitar uma atenção especial. Alguns tem a ver com a lei, outros com a questão do respeito, do limite, da forma de pensar e agir. Por aqui não é comum gritar, buzinar, passar na frente dos outros (mesmo se vemos de mais em mais). Aqui tem aquela coisa do não suje a rua (e me revolta aqueles que jogam pontas de cigarro janela do carro afora), não fazer barulho demais, o respeito ao silêncio noturno, a não agressividade no trânsito e por ai vai.

Na rua a placa indica 50 km/h, a polícia pode lhe parar se estiver acima. E tem multa. E não tem discussão ou argumento com o policial.

Em cada situação tem uma diferença, as vezes pequena, as vezes quase imperceptível, mas tem.

Nos próximos posts eu continuo essa série abordando alguns desses assuntos.

Até breve.

Written by Berg Lindo

Berg Lindo

Gerente de projetos de informática, co-fundador do PoDeixar e do Canadá Agora, adora cinema, formula 1 e principalmente ajudar as pessoas com suas experiências. Apesar dos olhinhos meio puxados nada tem de oriental. Dizem que é descendente de índio.