Cuidar dos filhos

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Por quê eu tenho de me dedicar aos meus filhos

Por quê eu tenho de me dedicar aos meus filhos

Minha última semana foi cheia. Realmente cheia, tão cheia que fiquei pensando em escrever este post. Quando pensei em dar um título a este artigo, me veio claro: por quê eu tenho de me dedicar aos meus filhos.

Eu realmente achei isto importante. Tanto que corri para escrever logo antes que a ideia me fugisse da cabeça.

Bom, bem-vindos a mais um Momento Lindo. Neste post eu quero trazer pra vocês 5 situações que explicam não só o em que, mas principalmente o porque eu tenho de me dedicar aos meus:

Sono

Se tem uma coisa que eu tenho dado cada vez mais valor, talvez por causa da idade, é o sono.

Dormir é uma das coisas que quanto mais eu invisto, mais eu corro atras. E dormir é uma das coisas que mais sacrificamos quando pensamos em nossos pequenos.

Se vocês, pais, ainda não engravidaram mas estão tentando ou tem planos de faze-lo, vocês vão se lembrar deste post.

DICA: na verdade é mais um aviso: filhos necessitam de atenção.

Atenção é um fator diminuidor do sono. E se você está pensando apenas no seu bebezinho, que chora de noite, saiba que isso vai bem mais além. Meus “bebês” ainda vem ao quarto a noite pedindo atenção, dizendo que tiveram um pesadelo, dizendo que tem dor em algum lugar do corpo.

E quanto está tudo bem tem coisas que vão consumir algumas horinhas a mais e que talvez venham a diminuir seu sono.

Eu as enumerei aqui abaixo e vou me permitir de lhe explicar o que, quando e onde eu considero isso importante. EU.

DICA 2: converse com seu filho e entenda às suas necessidades.

Dai você vai ter uma ideia de quanto isso vai impactar seu sono. Hahahahahaha !!!

Escola

Escola é o primeiro ponto e talvez um dos mais exigentes. Não que isso vá tirar seu sono, mas isso vai exigir um pouco mais de você.

No post anterior eu falei do percurso de estudos e de algumas coisas que você tem de saber. Mas no dia a dia, tem muita coisa relativa a escola que é importante e uma delas eu queria chamar sua atenção.

Seus filhos e filhas vão precisar da sua ajuda. Quando falamos de ajuda, falamos de dever de casa, de fazer a lição e também de tirar duvidas, de ensinar.

Opa! Essa palavra é muito boa: Ensinar.

O percurso escolar, apesar de não ter um vestibular no final do secundário para por pressão, tem uma sequencia dependente de performance talvez ainda maior.

Notas. Aqui usam-se as notas.

Sempre que tiver de classificar alguém para alguma coisa, as notas são o seu parâmetro.

É como um vestibular da vida escolar. Performar é uma necessidade se você encara a universidade como o início do futuro do seu filho.

Com boas notas, ele ou ela pode ir para qualquer lugar, fazer qualquer coisa, ser escolhido e aceito. Como pai EU me vejo na obrigação de contribuir a esse caminho.

As escolas ajudam. Mandam relatórios, planos semanais, avisam das provas, quase que exigem a participação dos pais.

Na minha casa explicamos e mostramos que os bons resultados, os diplomas de mérito, os privilégios escolares, entre outros, são consequência da repetição, da pratica, do estudo.

Eles entendem, mesmo sem perceber que por trás disso tem um ou dois pais lutando contra o tempo para aprender como funciona o mundo dos outros.

Como assim Berg? Explico no próximo tópico logo abaixo, mas antes deixo minha dica.

DICA: aprenda o mundo dos outros pois isso leva tempo e exige esforço.

Outro Idioma

Aqui está toda a beleza da coisa: tudo funciona em outro idioma.

Se você já tem filhos a dificuldade é maior pois você vai aprender ao mesmo tempo que eles e já vai ter que ensina-los.

Os que ainda não tem, tem um pouco mais de tempo, mas se dormirem no ponto, como eu acredito que seja o caso da maioria, vão ter a mesma dificuldade.

Meu filho não entende porque o “de” e o “de la” são pronomes e o “d’ ” (d com apóstrofo) não é.

“Paiiiiéééééé, ajuda!!!”

E se não bastasse o exemplo em francês, ao mesmo tempo ele não entende quando usar o “their” e quando usar o “them” no lugar do “they”.

Ah você também não sabe ? Vai estudar gramática!

Este pequeno exemplo mostra um dos lados da moeda. O outro é o fato de contrastar esses dois idiomas com o terceiro deles, já que além do francês e do inglês naturalmente temos o nosso amigo e amado português também.

Eu vou falar desse assunto no próximo post. É uma outra reflexão interessante que não cabe aqui neste artigo.

Na escola secundária eles podem aprender também o espanhol por aqui.

Eu ainda não sei o que é o secundário e talvez quando estiverem lá eu simplesmente decida que eles tem de se virar sozinhos com o professor na escola. Mas no primário, que é a porta e a base do secundário, EU decidi fazer um pouquinho a mais que isso.

“Poxa vida, eu nunca fui bom em português e matemática. Como vou ensinar meu filho?”

DICA: aprenda ! Queira aprender.

Conhecimentos gerais

Esse é outro ponto que me chamou a atenção. É uma situação inusitada.

Tudo bem. Supondo que eu seja muito bom em português e matemática e que estudei bem o francês e o inglês, talvez eu mesmo consiga ensinar meu filho. Mas e quando falamos de historia e geografia, de ciências e outras disciplinas cujo conteúdo não só está em outra língua mas também não tem nenhuma ligação com o nosso país?

Meu filho me pediu ajuda para uma pesquisa sobre os “Iroquoiens e a sociedade da colônia francesa no Canadá em 1645 a 1750”.

“Hein?!” Isso mesmo. Eu me fiz a mesma pergunta.

Daí lá vai papai primeiro entender o que o trabalho pedia, como a professora queria e então pesquisar entre Wikipédia, Google, etc.

E não acabou por aí. Ele apresentava em 2 semanas. Então tivemos que praticar a apresentação com o PowerPoint que papai ajudou a fazer.

Isso mesmo. A partir do segundo ano primário seu filho faz apresentações em PowerPoint e seria mais fácil se o pai ou a mãe lhe ensinasse o que é e como fazer.

DICA 2: não sabe fazer uma apresentação no nível intelectual de uma criança de 6 anos com uma ferramenta visual? Comece a aprender!

DICA 3: comece a desenvolver sua paciência

Esportes

Agora sim ! Se você pensa que a escola e a saúde eram todas as suas preocupações, eis aqui outra boa dose de dedicação.

O sistema canadense de desenvolvimento social e cultural (pra não dizer esportivo) pressupõe que existe uma entidade que colabora diretamente com a descoberta de seu filho ou filha neste campo de ação: a família.

DICA: prepare o bolso, o seu tempo e o seu coração.

O bolso, obviamente, pois a maioria dos esportes são pagos “por fora” na educação.

Tempo, porque não só elas podem acontecer a qualquer hora do dia e em qualquer dia da semana, como elas começam desde os primeiros aninhos de vida.

Pais não são feitos de açúcar. Eles vão num sábado de chuva e de temperatura em torno dos 18 graus levar seus filhos e filhas de 4 anos no treino de futebol.

Mães, pra não falar só “pais, pais, pais”, também entram na piscina com seu bebezinho no inverno quando faz -30 lá fora, 22 lá dentro e sei lá quanto na gelada água da piscina do clube de natação.

Mas veja pelo lado bom. É mais vocabulário para o seu inglês ou francês.

E se ele ou ela jogar hockey ou gostar de algum outro time de equipe das ligas canadense ou local: Triste ver que o “Canadien de Montreal” não ganhou mais uma vez a “coupe Stanley” esse ano e que seu guarda-metas, Mr. Price acabou se machucando no jogo passado e vai ficar 3 semanas ausente, desfalcando o time do coração!

Ah sim! E o coração! Você não imagina o orgulho de ver seu filho em seu primeiro torneio de basquete fazer a primeira cesta tendo treinado uma só vez.

E que tal vê-lo receber como recompensa aos vários treinamentos de karatê a sua faixa de “próximo nível” depois de passar no exame.

Ele nem sabe, mas aquilo ali faz parte de sua formação pessoal e papai não é o herói mas gritou como louco mesmo com a equipe perdendo o jogo.

Formação pessoal

Talvez aqui seja um dos pontos mais preocupantes ou impactantes em termos de cultura e de choque cultural.

Vivemos no mundo dos outros, em uma outra cultura, na qual nos adaptamos.

Mas também vemos falhas, exageros ou até discordamos, seja por crença, preconceito ou simplesmente porque pensamos diferente enquanto pessoas.

Ao mesmo tempo em que nossos filhos estão submersos neste universo onde todos os seus amigos são assim, tem seus pais lhe ensinam que certas coisas não são bem assim.

Quer alguns exemplos?

Na cultura local, pais e filhos são criados como iguais, são ensinados a esquecer a hierarquia, se é que tem uma na sua cultura pessoal.

Na cultura local, transa-se primeiro, ama-se depois e quando não está bom, vem a separação.

Daí seu filho chega em casa perguntando se você vai se separar da mamãe porque metade da sua turma tem pais e mães separados e aquilo é meio que “normal”.

Daí você lhe faz católico, batizado, cristão, enquanto que na escola educação religiosa não se atem a uma crença, mas sim ao respeito a todas as religiões.

Daí você tenta estudar com ele 5 vezes por semana quando as professoras do colégio dizem que uma a duas vezes são suficientes.

DICA: mesmo se pareça óbvio. Tire e use o melhor dos dois mundos.

Faça-o um ser humano mais completo, com uma visão maior que sua cultura ou a cultura local.

É isso! Aproveite que você viveu em dois mundos, que você fala mais de uma língua, que você passou por poucas e boas para se adaptar à sociedade, ao emprego, ao dia a dia e passe isso adiante.

Mostre a seus filhos que o mundo é maior, que ele ou ela pode aproveitar dos conhecimentos que você acumulou para ter uma diferença vantajosa. Apenas observando que isso não significa exclusividade.

Mesmo que pareça óbvio, não estou dizendo que você tem de se anular para se dedicar a ele. Estou dizendo que o mundo aqui se parece diferente do foi o meu, suficientemente para que eu use uma parte do meu tempo para dar aos meus pequenos maiores chances de futuro.

Afinal, esta foi uma das razões que me fez vir pra cá. E não basta apenas ter isso como sentimento, tem de transformar isso em ações concretas, em realidade.

Sucesso!

Links referentes a filhos:

PODCAST : criando filhos no Canadá

PODCAST : o que aprendi sendo mãe no Canadá

PODCAST : vida além da escola

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Written by Berg Lindo

Berg Lindo

Gerente de projetos de informática, co-fundador do PoDeixar e do Canadá Agora, adora cinema, formula 1 e principalmente ajudar as pessoas com suas experiências. Apesar dos olhinhos meio puxados nada tem de oriental. Dizem que é descendente de índio.