Choque cultural – Sistema de ensino canadense

Olá! Bem-vindos a mais um Momento Lindo. Cuidar bem da educação do seu filho é talvez uma das maiores preocupações dos imigrantes, mesmo quando ainda não tem filhos. Desde a decisão de engravidar os futuros papais têm de compreender o sistema de ensino e começar a se preparar para embarcar nele.

De novo aquela observaçãozinha básica dos últimos posts: o sistema de ensino não é o mesmo em todas as províncias e isso pode representar num futuro não muito distante, um impacto grande no seu bolso. Chamei sua atenção?

Antes de começar eu queria dizer que este post não é sobre detalhes do sistema de ensino e sim sobre diferenças para o nosso. Nós já falamos de escola em outros posts e vídeos. No final deste post eu coloco algumas referências.

Comecemos então.

Creches

No Brasil é mais fácil observar vantagens e desvantagens, além dos custos, pois o sistema é privado, sempre se paga. É simples, você escolhe geralmente em função de qualidade e preço.

Aqui não é bem assim, ao menos não em todo lugar. Com o aumento da imigração  os incentivos fiscais e benefícios sociais, o número de crianças para uma vaga aumentou consideravelmente. Isso significa entrar em uma fila.

Em Quebec por exemplo, o governo fornece uma espécie de subvenção para algumas creches, o que acaba por baixar o custo para os pais. Sem a subvenção, você tem de escolher entre ficar em casa tomando conta do seu filho ou filha ou buscar um lugar numa creche particular. Então, prepara o bolso!

“Meu Deus, que sistema de ensino é esse?”

É aqui que eu deixo a minha primeira DICA: comece a procurar sua primeira creche tão logo o objetivo de suas “intimidades” deixe de ser apenas diversão.

Entenda. Primeiro você tem de conseguir uma vaga, idealmente numa creche subvencionada, para baixar seu custo. Senão vai ter de calcular o que vale mais a pena, entre o custo da creche particular e o menor salário da família.

Os programas de incentivo a natalidade oferecem geralmente 12 meses de licença, que pode ser dividida entre o pai e a mãe. Muitas creches não aceitam recém-nascidos. Dependendo do caso, a criança só é aceita a partir dos 18 meses.

Numa situação dessa, se você e seu esposo ou esposa vão se dividir durante um ano de “licença bebê”, alguém terá de ficar com o seu pequeno ou pequena nos 6 meses onde a licença não mais existe. E é aí que entra a questão da grana!!!

Seu filho ficará numa creche geralmente dos 18 meses aos 4 ou 5 anos (dependendo das regras na província onde você vá morar).

Para você ter uma ideia, numa creche subvencionada pelo governo, você paga em torno de 180$/mês. Numa particular, considere uns 600$ a 1600$/mês. Dependendo do custo, muitos pais decidem não trabalhar, pois o salário não compensa o custo da creche e um dos dois acaba ficando longe do mercado de trabalho por alguns anos.

Passada essa etapa da vida, vai chegar a hora de encarar a próxima fase. A escola.

Maternal

As escolas geralmente começam pelo maternal. É aqui que começamos a falar de educação, embora a maioria das creches dê alguma coisa a mais que simplesmente brincar e cuidar da coordenação motora.

A trocar de uma creche para uma escola pode representar uma diferença grande para seu pequeno ou sua pequena. Tem uma questão existencial aqui !

Alguns pais preferem por seu filho em creches pequenas, com poucas crianças visando mais atenção. Outros preferem locais grandes, com muitas crianças pois se assemelham mais a uma escola e isso diminui o impacto nos primeiros meses após a troca.

DICA: tente usar o misto das duas ideias.

Isso foi o que eu fiz e não me arrependo. No comecinho, aos 18 meses, eu pus meus pequenos em locais pequenos, com poucas crianças. Mais velhos, lá pelos 3 anos, troquei por creches maiores ou com educadoras mais experientes. Na minha opinião facilitou a transição.

No maternal, a criança tem ainda a transição: brinca um pouco como numa creche e aprende um tanto como numa escola. Afinal ele está numa escola.

Quer uma diferença importante na rotina dos pequenos ? O sono. Nas creches seu filho dorme em um ou nos dois períodos. Na escola isso acaba. Tem de ficar acordado. É um primeiro grande desafio nessa idade.

E no Brasil é assim também ? Que tal comentar ?

Passado o maternal, entramos no primeiro ano do primário.

Escola primária

Grande diferença técnica aqui. O sistema brasileiro coloca atualmente 9 anos de ensino primário, que compreende também a chamada alfabetização. Por aqui a alfabetização começa no maternal e termina no primeiro ano.

O sistema de estudo canadense determina 6 anos em escola primária e 5 em escola secundária. No fundo no fundo, parece vir ao mesmo em termos de anos.

Crianças só entram na escola aos 5 anos, para fazer o seu maternal e tem seu primeiro ano oficial de alfabetização aos 6 anos de idade.

Muitos brasileiros acham que o ensino aqui é mais fraco. Um dos argumentos que sempre vêm a tona é por exemplo o fato que muitos canadenses não sabem que no Brasil se fala português. Além disso, existem críticas a eles não conhecerem tantos fatos sobre historia, geografia e por ai vai.

Eu diria que aqui existe educação igual para todos. Um país desenvolvido como o Canadá não teria chegado a esse ponto e a qualidade de vida aqui não seria das melhores se o ensino fosse realmente ruim. Educação é um dos pilares de uma sociedade vitoriosa.

DICA: Participe da educação do seu filho e ensine o que você acha que ele precisa saber a mais do que é ensinado na escola. Não espere nem dependa apenas do sistema.

Sim, é verdade. Não temos as mesmas matérias da mesma forma. A proposta é realmente diferente. Aqui eles se concentram em duas coisas: aprender de forma sólida a base do idioma (inglês e ou francês) e principalmente matemática e ciências. Na verdade, isso os prepara para a escola secundária.

Podemos dizer que este é de fato o objetivo da escola primária aqui: prepara-los corretamente para a escola secundária.

E antes que eu esqueça! O ensino publico é de qualidade. A maioria das crianças estudam em escola pública. Outro grande tabu!

Meus filhos estudam em escola primária pública e estamos totalmente satisfeitos com as escolhas que fizemos e com a qualidade do ensino que eles recebem.

Escola secundária

Para começar este tópico, escolas secundárias são separadas das escolas primárias.

Aqui começa uma questão de logística. Seus filhos em idades diferentes, vão estudar em algum momento em duas escolas diferentes, muitas vezes distantes umas das outras. De cara, um impacto na sua rotina.

Outra diferença: a liberdade.

Com raras exceções, escolas não tem muros. Ao menos que os pais exijam, os filhos tem liberdade de entrar e sair da escola como bem decidam. Um choque, não é mesmo?

Aqui no Québec isso é um pouco mais restrito nas escolas privadas, o que faz com que alguns pais brasileiros optem por essa opção, ao menos com relação ao ensino secundário.

São 5 anos e de novo um outro objetivo. Enquanto no Brasil o vestibular é o grande desafio e a razão do ensino secundário, por aqui o que parece ser a realidade é a de preparar o jovem para se descobrir e para descobrir o seu futuro.

A base do idioma principal e a matemática continuam. A fluência em uma segunda língua vem com força.

Na capital francesa a grande publicidade das escolas é ensinar inglês como segunda língua (alguns falam até de ensino simulado de língua materna). Ou seja, daqui seu filho ou filha vai sair trilíngue. Isto se você manteve o português em casa.

O sistema de ensino secundário funciona por perfis, com cargas horárias diferentes e focos diferentes. Crianças mais “esportivas” tem escolha de participar de programas diferentes de crianças mais “artísticas” ou mais “matemáticas”. Eu não me lembro das escolas particulares onde estudei perguntarem qual era o meu perfil e qual eram os meus interesses.

A troca de escola se faz ao fim do sexto ano primário. Você vai ter de visitar as escolas para escolher em quais delas você vai pedir que seu filho estude.

DICA: comece a visitar no quinto ano.

Começar a visitar durante o quinto ano te dá a vantagem de fazer uma primeira tournée, de obter informações, de comparar as propostas e os programas. Essa experiência vai ser bastante útil ao longo de sua visita no sexto ano. Você vai poder fazer as perguntas certas, olhar com mais detalhes características que talvez não tenha visto em sua primeira visita.

Escola técnica

Escola técnica é específica do Québec. É obrigatória antes da universidade.

O “lado inglês tem o College, mas não funciona da mesma maneira. A relação com o ingresso na universidade é um pouco diferente.

A escola técnica oferece uma profissão (técnica) ao fim dos estudos. De novo um motivo de discórdia: salários técnicos, em sua maioria, são mais baixos que os salários de quem possui nível superior.

Mas existem exceções. De um lado um técnico em enfermagem nunca vai ganhar igual a um ou uma enfermeiro(a). De outro um eletricista ou um soldador pode ganhar mais que um engenheiro.

De novo a questão do perfil: qual é de fato o interesse do seu filho ? Ele tem mais aptidões manuais ou é mais estudioso ? O que você quer para ele, o que você pensa para o seu futuro é mais certo do que ele realmente gosta de fazer ?

DICA: apesar de não existir regra para uma boa escolha, a universidade ainda é o caminho mais certo para melhores salários.

DICA 2: ajude seu filho ou filha a ter boas notas. Participe ativamente de sua educação.

Seja no College, seja na escola técnica, as notas são muito importantes para entrar na universidade. Ajude seu filho ou filha a ter sempre boas notas. Isso faz a diferença.

Universidade

Talvez aqui, para nós adultos, seja a maior de todas as mudanças e que talvez pegue desprevenidos aqueles que pensam em voltar aos estudos.

Cursar uma universidade no Canadá significa estudo em tempo integral. Professores não dão a matéria mastigada, pedem muitos trabalhos e o fazem estudar muito mais do que você talvez jamais estudou. Não necessariamente em termos de dificuldade, mas em termos de volume de estudo.

Alunos aqui trabalham no verão, durante as férias. Isso dá uma ideia bem real de que dividir o tempo entre trabalhar e estudar em tempo integral seja talvez bem difícil.

Além disso, estudante estrangeiro custa 3x mais que um local ou 2x mais que um imigrante. Este custo a mais nem sempre é a melhor maneira ou a melhor estratégia para se começar.

A DICA aqui é a mesma: conheça bem as consequências de embarcar num estudo universitário por aqui. O antes, o durante e o depois.

Analise quanto tempo vai levar, quanto isso vai te custar, o quão burocrático isso pode ser, o quanto você terá de reembolsar, etc!  E de preferência, faça isso antes de começar.

E como prometido lá em cima, aqui alguns links sobre o sistema de ensino :

PODCAST: Educação no Canadá

VÍDEO: Escolas em Quebec

ARTIGO, PODCAST e LINKS: Ensino fundamental

Written by Berg Lindo

Berg Lindo

Gerente de projetos de informática, co-fundador do PoDeixar e do Canadá Agora, adora cinema, formula 1 e principalmente ajudar as pessoas com suas experiências. Apesar dos olhinhos meio puxados nada tem de oriental. Dizem que é descendente de índio.