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Posso fazer mestrado no Canadá se já fiz mestrado no Brasil?

Respondendo a pergunta dos seguidores #1

mestrado no Canadá e mestrado no Brasil

Um ouvinte/espectador do PoDeixar #242: Engenheiro no Canadá enviou-nos uma pergunta e achei que seria interessante colocar a resposta em um post, pois pode ser a dúvida de muitos, inclusive daqueles que não são engenheiros.

A pergunta [resumida] é: “sou engenheiro, com mestrado no Brasil e mais de 3 anos de experiência de trabalho. Gostaria de aplicar para o PR estando ainda no Brasil, mas só consegui 6.5 no writing do IELTS. Ouvi dizer que a correção das provas do writing e speaking são tendenciosas. Por isso, tenho receio de ter que refazer a prova muitas vezes até conseguir obter a nota necessária. Pensei então em fazer um M.Eng. (Master of Engineering) no Canadá, mas ouvi dizer que meu visto de estudo para o mestrado pode ser negado por eu já ter feito mestrado no Brasil. O que vocês acham da minha situação? Conhecem alguém com experiência similar?

Disclaimer

Primeiro, um pequeno aviso: não somos consultores de imigração e apenas respondemos às perguntas dos nossos seguidores, baseados na nossa experiência pessoal ou de fontes próximas. Caso você precise de informações sobre imigração, consulte sempre as fontes oficiais do governo canadense e das províncias. Isto posto, vamos ao que interessa. 

1. Sobre ter o visto de estudos negado por já ter uma mestrado

Já ouvi várias vezes este comentário de que se você aplicar para um curso do mesmo nível (ou inferior) ao que você já tem, corre o risco de ter o visto negado. Não concordo com essa informação e entendo que ela esteja incorreta.

No Canadá, não é incomum que quem já tem um mestrado, resolva fazer outro. Ou mesmo que quem já tem pós-graduação resolva voltar para o College para estudar algo associado à sua área de especialização ou mesmo mudar de área. Enfim, a mentalidade em termos de estudos e carreira aqui é muito aberta.

Eu mesma já tinha pós-graduação no Brasil quando apliquei para o College no Canadá. Na época, ouvi esse mesmo comentário de uma consultoria famosa. Eles me disseram que meu visto seria negado porque eu já tinha 40 anos. Que não fazia sentido aplicar para o College de Engenharia Civil já tendo pós-graduação na área. Resolvi ignorar esse comentário e montei eu mesma meu processo de pedido de visto e hoje já tenho meu PR.

O importante é montar um processo consistente, mostrando seus vínculos com o Brasil, mostrando que você conhece as regras de imigração, deixando claro que você vai deixar o Canadá caso a sua permanência no país não seja aprovada em algum momento. Isso tudo tem que ser colocado na carta de intenções que vai anexada ao processo, explicando as motivações para vir fazer determinado curso no Canadá. É importante demonstrar consistência e coerência na aplicação ao visto.

2. IELTS para o Express Entry e o mestrado

Existem dois tipos de provas de IELTS: o acadêmico (para estudar no Canadá) e o “general training (GT)”, para a imigração. Na pergunta, ele menciona que só tirou 6.5 no writing do IELTS. Não foi especificado qual o tipo de prova feita, mas como estamos falando de Express Entry, a pergunta deve se referir ao GT.

Veja bem: para fazer o mestrado, é preciso fazer a prova acadêmica. O IELTS academic é mais difícil que o General. Além disso, a maioria dos mestrados pede IELTS band 7. Ou seja, para fazer um mestrado, é preciso tirar 7.0 no writiing de uma prova que é mais difícil que o general – e nessa, a nota obtida foi 6.5. Nesse sentido, entendo que é melhor continuar focando em melhorar o writing para refazer o IELTS GT, estando ainda no Brasil.

A propósito: caso você não esteja fazendo aulas com professor especialista em IELTS, recomendo que o faça. Isso é fundamental para melhorar o writing.

Critérios de correção do IELTS

Outra coisa: discordo de que o IELTS seja tendencioso em relação à correção das  provas de speaking e writing. O que acredito é que em virtude da correção destas provas ser subjetiva, pode acontecer de um examinador ser mais rigoroso do que outro. No entanto, de forma geral, acho a correção da prova bem padronizada (muito melhor do que o Celpip, por exemplo). O que eu sugeriria é pedir revisão da nota. Pode ser que aumentem a nota nesse meio ponto que falta. Mas caso o prazo para o pedido de revisão já tenha expirado, vale a pena estudar mais e fazer a prova de novo (se não me engano, o pedido de revisão tem que ser feito em até 6 semanas da data do teste).

De qualquer forma, 6.5 já é uma nota muito boa para uma primeira tentativa. Sair-se bem no IELTS depende também de conhecer bem a prova. Comentei isso no meu post “CLB 9 no IELTS: você também pode atingir o seu.”

Portanto, a não ser que você pretenda fazer o TOEFL, que também é aceito pra usar na aplicação do mestrado (tem gente que prefere o estilo de prova do TOEFL), acho que vale a pena continuar se preparando par aumentar a nota do IELTS GT mesmo.

3. Vir fazer mestrado ou imigrar direto?

Bom, na minha opinião, é sempre melhor vir já como PR do Brasil, mesmo que você queira estudar aqui (o que eu recomendo). Quem vem como PR, paga menos da metade do valor da tuition (valor anual pago pelo curso) pra estudar no Canadá. Além disso, um M.Eng. pode facilitar o processo de obtenção do P.Eng. aqui (falei disso nesse post: “Engenheiros no Canadá: mestrado facilita obtenção do P.Eng.” E principalmente: ter um diploma canadense faz com que você seja visto com outros olhos no mercado de trabalho no Canadá.

4. Obter o PR estando ainda no Brasil

Como falei, é possível vir direto como PR. Mas pra isso, é preciso verificar se você tem um perfil com pontos suficientes para ser chamado no Express Entry. Você pode verificar sua pontuação, fazendo a simulação no site do governo.

Nos últimos rounds of invitation, foram chamados candidatos com 459 pontos ou mais (draw de 24 de julho, 2019). Ou seja, pra ser convidado a aplicar, sua pontuação tem que estar acima disso. Tendo uma pontuação próxima já pode ser um indicativo de ser chamado num draw futuro. Entretanto, não há garantia, pois os pontos de cada draw variam, já que o pool de candidatos está sempre mudando. Sugiro sempre conferir a pontuação dos últimos draws no site do governo.

Existem também alguns processos provinciais para os quais você pode aplicar (ou ser convidado a aplicar) ainda estando no Brasil. Para isso, é preciso olhar o site de cada província pra entender sobre os processos. 

Escrevi um post falando por onde começar a planejar a imigração que pode ser útil: “Quero imigrar para o Canadá. Por onde começar?

Resumo

Se eu estivesse hoje no Brasil, querendo imigrar para o Canadá, eu tentaria:

  1. obter band 8.0 no listening e band 7.0 nos demais skills do IELTS GT (considerando que o objetivo seja atingir CLB 9 pra somar mais pontos no Express Entry);
  2. Em seguida, aplicar para o PR estando ainda no Brasil (supondo que a pontuação seja suficiente para ser chamado pelo EE nos próximos draws);
  3. Depois de obter o PR, fazer um mestrado no Canadá já como aluno doméstico (o que pode ser feito logo que a pessoa chegar aqui ou não). Nada impede de alguém vir como PR para o Canadá, começar a trabalhar e fazer um mestrado alguns anos mais tarde, caso queira.

Se o PR for demorar

Se não der certo vir como PR, ou se for demorar muito e você gostaria de vir o quanto antes, fazer o mestrado com certeza continua sendo uma excelente opção. Há, inclusive, universidades que podem aceitar um IELTS com band menor que 7. Aí, vai ser necessário fazer uma pesquisa nos sites das universidades para ver os critérios. Vale sempre lembrar que, qualquer que seja sua escolha, um bom planejamento financeiro é fundamental.

Espero que este post tenha ajudado a sanar as dúvidas. E para quem tiver uma experiência que queira compartilhar, deixe nos comentários!

P.S.: No PoDeixar 144: Imigrar como estudante, eu e Laryssa contamos como fomos desencorajadas a aplicar para o visto de estudos para vir estudar no Canadá. Clique e confira. 🙂

Andrea Zotelli

Written by Andrea Zotelli

I love reading, writing and discussing ideas that can change people's life. I hold a Civil Engineering bachelor degree from Brasil and a Civil Engineering Diploma from Seneca College. Yes, I love engineering, construction and urban development. Continuous learning and growth are some of the reasons why I moved to Canada in 2015.